quinta-feira, 19 de março de 2020

18/03/2020 Panelaço brasileiro?

Para a população encarcerada bater canecas (ou o que estiver a disposição) contra as grades é uma forma possível de protesto. O ato funciona como um chamado pros presos ao redor aderirem também, criando uma onda de barulho difícil de perceber de onde exatamente vem e, principalmente, difícil de ser reprimida toda ao mesmo tempo. Também fortalece as pessoas alijadas de seus direitos com a sensação da ação coletiva, poderoso estímulo da humanidade. Finalmente, o estorvo camufla sons de outras coisas que se pretende fazer disfarçadamente em rebeliões.

Pensando nisso me pergunto:
Quão parca deve ser a democracia nas cidades em que a opção de protesto se assemelha ao bater chapa dos presídios? De quais prisões esses "paneleiros" não conseguem sair para se manifestar fora de seus lares? Será a dificuldade de locomoção de idosos e deficientes em cidades hostis ou talvez a ameaça à integridade frente a algum toque de recolher (do estado ou de facções)? Será o comodismo de quem manda suas babás e empregadas domésticas pedirem impeachment, conforme fotografado em 2016?
Desde a última década tenho me perguntado e em 2019 a resposta veio sob a forma de Chile sitiado. Já sua atualização, em 2020, foi um Brasil em quarentena anti-corona vírus. 

E não fui eu a primeira me perguntando sobre o estrangeirismo deste ato que nunca fez parte de nossa cultura política. Os jornais brasileiros são claros ao dizer que os panelaços, tradicionais no Chile e Argentina, são uma novidade que o antipetismo da última década trouxe para o Brasil. Um exemplo, que está longe de ser considerado de esquerda, é o próprio Jornal do Comércio fazendo esta crítica.

Desse modo, me preocupa um pouco que os panelaços aproximem os atuais opositores do governo Bolsonaro daquela elite machista que escarneceu da primeira presidenta do Brasil quando o dólar, a gasolina e o desemprego estavam tão abaixo dos atuais índices. Mas mesmo assim reconheço o valor de qualquer expressão coletiva que organize nossas indignações, e respeito muito quem fez do panelaço de ontem (18/03/2020) um momento de afirmação democrática em meio ao confinamento. 

Ocorre que o próprio presidente Jair, sabendo da organização para aquele protesto, daquela forma, naquele momento, convocou seus apoiadores para fazer exatamente o mesmo a fim de gerar confusão, a principal tática de sua vida política.

Feita a confusão, o significado político do panelaço de ouvido em várias cidades ontem permanece uma incógnita. Fora a satisfação individual que cada um teve (ao extravasar ao mesmo tempo apoio ou rejeição ao governo) restam apenas alguns convalescentes, bebês e animais domésticos assustados com o barulho e uma população atomizada: aos gritos! porém incapaz de estabelecer diálogos... muito parecida, portanto, com a população carcerária. :(

Quanto a esta, ainda não se sabe como ela será socorrida em meio a pandemia. Há diferentes propostas de desencarceramento para frear os contágios de covid-19 (que já deviam ter sido discutidas antes devido ao sarampo, tuberculose, hiv, etc). Porém algumas delas são criticadas pois fortaleceriam os movimentos da criminalidade organizada que sabe-se lá como participa de redes de influência armadas, comerciais e políticas.

Por mais que eu não queira aderir a conspiracionismos a realidade é que quando olhamos o presidente comediante não estamos mirando a face do poder no Brasil. A real política tem sido feita por entes privados em acordos que desconhecemos. Então se nesse contexto o representante maior da "familícia" substituir de vez nossa ordem democrática por uma sociedade policialesca/militar, justo neste momento de suspensão das atividades em público, que resistência poderá ser feita à distância, digitalmente? 

Não sei o que nos aguarda. Tenho saudade de nadar, de namorar e de acreditar que a cidade é de seu povo. Cada vez mais sei: nunca foi. 

sábado, 14 de março de 2020

Suspensão de atividades

Para frear a propagação do Corona vírus o governador Witzel decretou suspensãos de todas as atividades nos âmbitos coletivos sejam eles educacionais, culturais, políticos, desportivos, artísticos, jurídicos, religiosos, etc. 
Mas mesmo sob o isolamento nós continuamos perguntando:

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE FRANCO? #14M

domingo, 1 de março de 2020

Em 2020 meu emprego na Casa de Cultura Laura Alvim e meu mestrado na Unirio darão novas direções a este blog. Será que consigo colecionar pensamentos (e leitores) por aqui? :)