quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Setor de RH não é lugar pra ignorantes.

Em 02/01/2020 vi uma ex-colega de turma, dizer que "a economia está melhorando" no stories do Instagram e lhe perguntei privadamente: "a economia está melhorando?"

Perguntei pois foram diversas as denúncias, em jornais nacionais e internacionais, de que o governo estava mascarando dados sobre exportações, PIB, desemprego/desalento, desindustrialização e outros temas importantes da economia no ano passado (ao mesmo tempo que aumenta a população de rua, os contágios de doenças mortais, o preço dos combustíveis, da carne, o dólar...). E fiquei chocada com sua resposta.

Ela citou um único jornal pra afirmar uma "melhoria da economia" totalmente descolada do desemprego crescente que, segundo ela, resulta de falta de vontade das pessoas trabalharem. O que embasava sua opinião era sua experiência pessoal trabalhando no RH de uma empresa responsável por cerca de 200 famílias, de onde ela até me mostrou algumas planilhas administrativas.

Me entristece pensar que tantas pessoas despreparadas trabalham com recursos humanos mas, como se tratava de uma ex-colega, eu expliquei pra ela algumas dificuldades que as pessoas desempregadas tem no próprio processo de buscar emprego (que por si só já consome recursos, tempo, roupa social, dinheiro para se deslocar, etc). Também a parabenizei pelo trabalho e disse que fico feliz em conversar com amigas da faculdade apesar de eu própria não socializar muito ultimamente pois também estava procurando emprego.

Bastou pra que ela revelasse seu misto de preconceitos de classe, orgulho de ser empresária e mágoa por nem sei o quê. Dizia ela que sem estar no lugar dela as pessoas só podem fazer análises superficiais e sem empatia "por estarem com um discurso convicto em mente". Que as crenças limitantes e as desculpas são maiores do que as vontades do ser humano. Que os dados da planilha de entrevistas de empregos de sua empresa mostram a realidade. E que eu não sabia, como ela sabe, o que é ter a vergonha de dizer para um colaborador que o salário vai atrasar ou ter que voltar andando pra casa pois a única grana na conta era para ticket alimentação de funcionário.

Devido à grosseria com que ela me respondia eu não tive a chance de dizer a ela que eu sei, sim, o que é receber meu salário atrasado e voltar a pé pra casa sem vale-transporte. Dava pra ver mágoa mesmo em suas palavras. Mágoa que ficou muito clara quando ela disse que não era mais a menina florida da faculdade, que não admitia que eu lhe dissesse o que ela devia ou não aprender, e que havia sofrido e mudado.

Sim... sofrer e mudar é o que todos nós temos vivido mas eu também não lhe disse isso. Disse apenas que eu estava aberta pra conversar caso ela quisesse, e que nas minhas experiências profissionais eu já vi muita fiscalização contra trabalho escravo, racismo, crimes de ódio, preconceito contra pessoas com deficiência, criminalização da pobreza, etc.... mas nem por isso confundo minha experiência pessoal com a realidade do país inteiro.

E a pá de cal veio quando ela me disse que não tinha tanto tempo livre quanto eu mas que me sugeria o telefone de uma psicóloga para lidar com síndrome de inferioridade.

É decepcionante saber que pessoas tão ignorantes organizam os Recursos Humanos de empresas mundo afora... e é um pouco vergonhoso que um dia eu tenha me enganado com a falsa amizade de uma delas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

21/02/2020 Ala Girassol no desfile da Rocinha

Em 21/02/2020 a escola de samba Acadêmicos da Rocinha foi a primeira a garantir espaço pra que pessoas cegas e com baixa visão desfilassem no carnaval 💙
Parabéns à coreógrafa Renata, ao presidente Gutman, e a todos da associação girassol com quem tive a alegria de ser voluntária.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

21 de fevereiro: Dia Nacional do imigrante italiano.

Trago do facebook pra para cá meus escritos sobre o dia Nacional do imigrante italiano, 21 de fevereiro, que segundo o IPHAN foi escolhido em memória à primeira expedição em massa de imigrantes do norte da Itália para o Brasil, em 1874.

Nos imigrantes do Brasil mistura-se um histórico de esperança e opressão. E sendo descendente de quem floresceu em meio a essa mistura tenho a responsabilidade de lembrar e, se possível, tentar compreender.
O início de nossas políticas imigrantistas foi indiscutivelmente racista e objetivou substituir os negros e mestiços escravizados, que jamais receberam qualquer reparação, por povos europeus que embranquecessem o país.
E apesar de receberem incentivos que não foram destinados aos povos considerados atrasados (por exemplo chineses) essa predileção não protegeu os imigrantes europeus de primeira onda contra as condições análogas à escravidão a que foram submetidos aqui.
Ainda assim as famílias italianas estabeleceram suas raizes e contribuíram MUITO com o Brasil, assim como as alemãs, japonesas e tantas outras. 
Com o passar do tempo as diferentes ondas de imigrantes (de diferentes povos) tiveram que lidar com diferentes dificuldades. Uma delas, já superada, foi a proibição de seus idiomas na época do Estado Novo. A reparação deste medida é um dos elementos que fundamentou o reconhecimento do Talian (dialeto ítalo-brasileiro) como Referencia Cultural Brasileira pelo Decreto 7.387/2010.
Hoje os principais imigrantes a se radicarem no Brasil vem de outros países latino americanos e da Síria. Contudo nosso país mais exporta do que recebe imigrantes.
Não há motivo para, em 2019, com a facilidade que temos de acessar informação e educação, continuarmos tolerando pensamentos xenofóbicos se nossa própria cultura é, por si só, um amálgama tão rico.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Pesquisadora no projeto Thomas Ender e o Brasil

Antes de 2019 acabar também tive o privilégio de ser contratada pela editora Capivara para prestar um serviço de pesquisadora de obras de Thomas Ender em acervos para o projeto Thomas Ender e o Brasil, Pronac 178800.
Agora o que mais desejo é pegar o livro em mãos quando ele for lançado e procurar meu nome lá. Indescritível o tamanho de minha alegria! :)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Mesa redonda na ELERJ

Em 28/11/2019 também apresentei minha pesquisa "A influência do racialismo na mentalidade carioca pré-abolição" na Elerj (Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro) ao lado de brilhantes mestres que muito me inspiram!

A mesa redonda "RACISMO E CONSCIÊNCIA NEGRA", com o intuito de promover reflexões e marcar a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, foi composta composta por:

•AMILCAR ARAUJO PEREIRA - Pós-doutor nas áreas de Educação e História na Columbia University, Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF);

•JOÃO RAPHAEL RAMOS DOS SANTOS - Sociólogo e Mestre em Educação formado pela UFRJ;

•GABRIELLE OLIVEIRA DE ABREU - Historiadora e mestranda no Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC/UFRJ);

•PILAR BORGES BARBOSA – Professora graduada na Licenciatura em História (UNIRIO) *e atualmente mestranda no PPGH - Unirio. 

https://www.youtube.com/watch?v=Uy6shBuWe6I&t=25s